Sydney (Austrália), 3 de setembro de 2025 – O coreógrafo australiano Lewis Major apresentou pela primeira vez em Sydney o espetáculo “Triptych”, no palco do Off Broadway Hub – Eternity Playhouse, integrando a programação do Sydney Fringe Festival.
Após a estreia mundial no Edinburgh Fringe Festival de 2024 e temporadas em Adelaide, Suffolk e São Paulo, a obra chega à capital de Nova Gales do Sul já respaldada por críticas positivas. “Triptych” foi concebido em parceria com o mentor de Major, o coreógrafo britânico Russell Maliphant OBE.
Quatro movimentos guiados pela luz
Apesar do título sugerir três partes, o trabalho se desdobra em quatro movimentos – o terceiro dividido em dois atos – separados pelo acender e apagar das luzes da plateia. A iluminação, assinada por Major em colaboração com Fausto Brusamolino, funciona como elemento cênico principal, moldando formas e criando volumes no espaço.
No Prologue, acompanhado por composição de Koki Nakano, as bailarinas Elsi Faulks, Rebecca Bassett Graham e Abbey Harby dançam dentro de quadrados luminosos, explorando linhas e suspensões até o blackout final.
Unfolding, ao som de James Brown, traz Lewis Major, Stefaan Morrow e o elenco feminino em sequências de duos que se entrelaçam. Feixes de luz recortam o palco, formam padrões geométricos e criam a ilusão de pirâmides giratórias, exigindo precisão extrema dos intérpretes.
Nos Epilogues, o tom se torna mais intimista. Em Lament (Ato 1), Morrow e Bassett Graham exploram conexões corporais ao som do grupo vocal corso A Filetta. O Ato 2 consiste em um solo de Morrow, coberto por um pó claro que se espalha pelo palco enquanto o bailarino gira sob a trilha de Dane Yates inspirada em “Clair de lune”, de Debussy.
Imagem: Alessandro Botticelli
Figurinos e concepção
Os intérpretes vestem roupas pretas básicas, trocando para tons de pele nos trechos que simulam nudez. A sobriedade do figurino reforça a proposta de colocar a luz como verdadeira “roupa” da coreografia.
Com “Triptych”, Lewis Major reforça a reputação de voz original na dança contemporânea, combinando construção arquitetônica de espaço, rigor físico e uma estética de iluminação que se torna coprotagonista em cena.
Com informações de Dance Informa Magazine
