Melbourne (Austrália) – O coreógrafo australiano James Batchelor apresentou, em 1º de outubro de 2025, o trabalho “Resonance” no espaço The Substation, dentro da programação do Melbourne Fringe Festival. A criação foi encomendada há três anos pela Tanja Liedtke Foundation com o objetivo de refletir sobre o legado da coreógrafa germano-australiana, falecida em 2007.
Com cerca de uma hora de duração, a obra reúne um elenco de 12 intérpretes e combina movimento, som e elementos do próprio local. De acordo com a crítica publicada por Paul Ransom, sons de trens que passam ao lado do prédio e a visão de bailarinos aguardando suas entradas em um corredor adjacente se misturam à cena, conectando lembranças de Liedtke ao presente.
Batchelor utiliza sequências em que o grupo dança em ritmo metronômico, porém ligeiramente fora de sincronia, recurso que, segundo o revisor, sugere interpretações individuais sobre o conceito de legado. Essa estratégia também dialoga com ideias sobre tempo, memória e a efemeridade da dança.
A análise destaca que “Resonance” evita o tom meramente elogioso e, apesar de evidenciar cortes e mudanças bruscas – as “costuras” do processo colaborativo –, alcança um tributo à dança contemporânea australiana do início dos anos 2000 aos dias atuais. Para o crítico, a peça apresenta “porosidade” ao permitir que lembranças privadas e referências públicas sobre Liedtke se sobreponham ao momento da apresentação.
Imagem: Sarah Walker
“Resonance” marca mais um capítulo do Melbourne Fringe, festival conhecido por abrigar produções experimentais e interdisciplinares, e reforça o papel da Tanja Liedtke Foundation na preservação e discussão da trajetória da artista.
Com informações de Dance Informa Magazine
