Sydney (Austrália), 1º de outubro de 2025 – Dirigido e coreografado por Tegan Jeffrey-Rushton, o trabalho de dança contemporânea “Overture” transformou os corredores, camarins e palco do Eternity Playhouse em um percurso cênico que expôs os rituais privados que antecedem o momento em que as luzes se acendem.
Coproduzida por Neale Whittaker e apresentada pelo Idea Festival em parceria com a Form Dance Projects, a montagem propõe que o próprio teatro pareça um corpo assombrado por memórias de artistas, plateias e profissionais invisíveis.
Elenco e personagens
Quatro figuras centrais conduzem a narrativa:
- Holly Finch – Ginnie, a Performer
- Neale Whittaker – John, o Bartender
- Robert McLean – Quell, o Cleaner
- Yukino McHugh – Helen, a Stage Manager
Um conjunto adicional, batizado de “The Audience”, entra em cena no ato final, borrando a fronteira entre quem assiste e quem interpreta.
Percurso do público
A experiência começa no foyer, iluminado em vermelho, onde McLean executa gestos de limpeza que roçam a abstração. Em seguida, Whittaker assume o balcão num estilo que mescla hip-hop e pausa dramática, chegando a cantar brevemente. A entrada de Finch, em figurino de veludo bordô e maquiagem borrada, altera a atmosfera com uma performance que oscila entre fragilidade e exaustão teatral.
Conduzidos pela equipe, os espectadores sobem escadas repletas de cartazes antigos até um camarim apertado. Nesse espaço, Finch encara o espelho enquanto McHugh tenta colocá-la em cena, Whittaker deposita rosas sobre a bancada e McLean observa em silêncio. A tensão entre o amor explícito do Bartender, o cuidado tímido do Cleaner e a pressão profissional da Stage Manager se mantém até a recusa final da Performer.
Imagem: Sam Roberts
Clímax no palco
Após um solo de McLean num depósito, todos convergem para o palco principal, quando portas se abrem para a entrada do elenco que representa o público: críticos, celebridades, familiares e casais, todos com figurinos inspirados nos anos 1920. Esse grupo realiza uma sequência coreográfica extensa em que aplausos viram gestos, corpos atravessam fileiras de cadeiras e a plateia real é convidada a observar esse espelhamento cênico.
Desfecho
No momento final, Finch surge diante de um microfone, pronta para cantar, mas a iluminação se apaga antes da primeira nota, encerrando a obra no ponto exato em que a apresentação “oficial” começaria.
“Overture” redesenha a arquitetura do Eternity Playhouse e homenageia tanto os fantasmas da ribalta quanto os trabalhadores que mantêm o espetáculo vivo. Embora alguns fios dramáticos se dissipem, a montagem alcança seu objetivo de revelar a humanidade que permanece oculta atrás da cortina.
Com informações de Dance Informa Magazine
